sexta-feira, julho 01, 2005

Desolação

O meu percurso diário de carro passa por Sta. Catarina e quase sempre reparava e admirava um automóvel antigo verde que muitas das vezes se encontrava ali estacionado a descarregar batatas, legumes e afins. Pensava cá comigo: uma mercearia aparentemente igual a tantas outras mas que dá vontade de visitar, tudo por causa daquele automóvel ali estacionado com o saco de batatas na grade do tejadilho que marcava a diferença, que não era indiferente a quem passava. Quantas vezes pensei que me apetecia parar para tirar uma fotografia.
Nunca visitei a dita mercearia, nem nunca terei a oportunidade de o fazer. Provavelmente também nunca mais vou ver aquele automóvel.

A rua esteve fechada ao trânsito e só hoje voltei a lá passar. Senti uma desolação difícil de descrever. No espaço agora vazio via-se o entulho que me fez pensar nas vidas que se perderam, nas vidas daqueles que ficaram sem casa, sem nada, nas vidas que se alteraram para sempre, na culpa.

As lojas e as casas com os vidros partidos, janelas tapadas com plásticos a fazer de vidro, um movimento anormal de pessoas a reparem os estragos, a fazerem medições, a tomarem apontamentos. Nada era normal. Para qualquer lado que se olhasse tinha-se a noção das dimensões daquela explosão. Em Gonçalo Cristóvão eram ainda visíveis os estragos.

Aconteceu às nove da noite, mas poderia ter acontecido durante o dia. Nem quero pensar...

Já tinha visto na televisão, nos jornais, mas passar ali... deixou-me assim.

1 comentário:

Costinhas disse...

Realmente o cenário deve ser desolador.

Um beijinho
Sandra